Uso de antidepressivos antes e durante a gravidez pode estar ligado a autismo

20 Abr, 2017
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O uso de antidepressivos antes e durante a gravidez pode estar associado a um risco maior de transtorno do espectro autista (TEA) em crianças, sugere uma nova investigação.

Ainda assim, a principal autora do estudo, Dr. Florence Gressier, do Hospital Universitário Bicetre, em Le Kremlin-Bicetre, França, disse à Agência Reuters que “as mulheres grávidas não devem parar de tomar estes medicamentos porque os dados que vinculam o seu uso na gravidez ao TEA são fracos”. Além disso, poderão existir consequências se a depressão durante a gravidez não for tratada e “cada caso deve ser avaliado individualmente”.

Segundo escrevem os investigadores, o uso de antidepressivos durante a gravidez está a aumentar em todo o mundo, e os mais populares, conhecidos como “selective serotonin reuptake inhibitors” (SSRIs), estão ligados a uma série de riscos e benefícios durante a gravidez.

A equipa acrescenta que algumas investigações sugerem que crianças expostas a antidepressivos no útero correm um risco mais elevado de desenvolver TEA.

Segundo a Reuters, para a nova investigação, os investigadores analisaram bases de dados de estudos académicos que examinavam a ligação entre a exposição ao antidepressivo no útero e o risco de TEA. Foram encontrados 10 estudos com resultados mistos.

De acordo com os investigadores, seis destes estudos, que comparavam um total de 117.737 participantes com e sem autismo, indicam que as crianças tinham 81% mais probabilidades de desenvolver TEA se fossem expostas a antidepressivos durante a gravidez.

Algum deste risco, refira-se, poderia ser explicado pelo historial de doença mental das mães.

No entanto, não surgiu qualquer ligação entre o uso de antidepressivos durante a gravidez e o TEA quando os investigadores analisaram dois estudos que acompanharam 772.331 crianças ao longo de um determinado período de tempo.

Por outro lado, dados de quatro estudos revelaram uma probabilidade desenvolvimento de TEA 77% maior entre crianças nascidas de mulheres que utilizaram antidepressivos antes da gravidez.

Tendo em conta os resultados mistos e poucos esclarecedores, os investigadores apontam que serão ainda necessárias análises mais aprofundadas para esclarecer a questão.