Satélites alertam para pragas de gafanhotos

16 Jun, 2017
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Atualmente é possível prever pragas de gafanhotos a partir de satélites. Um cenário que fustiga, não raras vezes, regiões do norte de África e Índia. Agora, a Agência Espacial Europeia (ESA) associou-se a parceiros internacionais para provar como os dados de satélites, como os da missão Humidade do Solo e Salinidade Oceânica (SMOS. Do inglês Soil Moisture and Ocean Salinity) podem ser usados para prever as pragas de gafanhotos.

A informação obtida está a ser utilizada para prever condições favoráveis para a abundância de gafanhotos no deserto, que representa uma ameaça à produção agrícola e, consequentemente, à segurança alimentar.

Os gafanhotos do deserto são um tipo de gafanhoto encontrado principalmente no deserto do Sahara, em toda a Península Arábica e na Índia. O inseto é geralmente inofensivo, mas quando se agrupam, podem migrar através de longas distâncias e causar danos generalizados nas culturas.

A praga de gafanhotos ocorre quando um período de seca é seguido por chuvas boas e rápido crescimento da vegetação. Essas condições desencadeiam um período de reprodução abundante e superlotação, e o aumento do contato com outros gafanhotos pode levar à formação de aglomerados grandes. Uma praga de gafanhotos, por exemplo, numa área de um quilómetro quadrado contém de 40 milhões de elementos, aproximadamente, que comem a mesma quantidade de alimento, num dia, que 35 mil pessoas. Ou seja, um aglomerado do tamanho da capital do Mali ou da capital do Níger vai comer a mesma quantidade de alimento que a metade da população total desses paises. | Copyright: FAO/Carl de Souza

De acordo com a ESA, entre 2003 e 2005, durante a praga de gafanhotos na África ocidental, onde mais de oito milhões de pessoas foram afetadas, foram reportadas perdas até 100% em cereais, 90% em leguminosas e 85% em pastagens. Na época, foram necessários quase 600 milhões de dólares e 13 milhões de litros de pesticidas para controlar a praga.

Os satélites podem agora monitorizar as condições que podem levar às pragas de gafanhotos, como a humidade do solo e a vegetação verde. Para o efeito, a ESA associou-se com parceiros internacionais da Argélia, França, Mali, Mauritânia, Marrocos, Espanha e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), para usar dados de satélites, como os da SMOS para prever as pragas de gafanhotos.

Segundo Keith Cressman, diretor sénior de previsão de pragas da FAO, explica que “na FAO, há um histórico de décadas de previsão de pragas” e, por isso, a entidade trabalha “em estreita colaboração com os países com maior risco, para implementar medidas de controlo”.

“Ao trazer a nossa experiência juntamente com as capacidades de satélites da ESA, podemos melhorar significativamente a previsão de forma atempada e precisa. O aviso precoce significa que os países podem atuar rapidamente para controlar um potencial surto e prevenir perdas maciças de alimentos”, acrescentou.

Segundo a ESA, para obter dados fidedignos que permitam prever este tipo de pragas, o satélite SMOS captura imagens de “temperatura de brilho”, que correspondem à radiação emitida pela superfície da Terra. A partir daí, é possível obter informações (imagens) sobre a humidade do solo, com uma resolução de 50 quilómetros por pixel.

Em 2016, por exemplo, quando foram combinadas informações com dados de resolução média do instrumento MODIS, a bordo dos satélites Aqua e Terra da NASA, foi possível criar mapas que mostravam áreas com condições favoráveis para o aparecimento de pragas de gafanhotos, 70 dias antes do surto de novembro, na Mauritânia.