Risco de conflitos no mundo é o maior desde a II Guerra Mundial

10 Jan, 2017
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Autor:
Agência Lusa

De acordo com um documento do National Intelligence Council – conselho representativo dos serviços secretos norte-americanos -, divulgado na segunda-feira, a administração de Donald Trump vai encontrar um mundo onde o risco de conflito, crescimento económico reduzido e pressões antidemocráticas, é o maior desde a Segunda Guerra Mundial.

A liderança dos EUA está em declínio perante as mudanças no poder económico, político e tecnológico, que constituem profundas alterações no panorama internacional e “pressagiam um futuro próximo negro e difícil”, segundo o documento “Global Trends: Paradox of Progress” (“Tendências Globais: Paradoxos do Progresso”), do Conselho Nacional de Informações.

“Os próximos cinco anos vão ver o aumento de tensões dentro e entre países. Para o melhor e o pior, a emergente paisagem global está a desenhar o fim da era do domínio norte-americano que se seguiu à Guerra Fria, acrescentaram os autores do texto.

O Conselho Nacional de Informações (National Intelligence Council), um grupo de investigação dependente do diretor das Informações Nacionais (National Intelligence), divulga a sua avaliação global de quatro em quatro anos. Esta divulgação ocorre a 11 dias da tomada de posse de Trump.

O relatório apresenta um quadro com cores sombrias sobre os desafios subsequentes à ordem internacional característica do pós Segunda Guerra Mundial, incluindo disparidades económicas extremas, deslocações tecnológicas, mudanças demográficas, os impactos das alterações climáticas e a intensificação dos conflitos identitários.

Acresce que as democracias ocidentais vão ter cada vez mais dificuldade em manterem-se fiéis aos seus princípios e evitarem ser separadas umas das outras.

“Vai ser cada vez mais difícil cooperar internacionalmente e governar da forma que o público espera”, acrescentou-se no texto.

Mais países vão ser capazes de “vetar” esforços de cooperação e a miríade de canais de comunicação global vão deixar grandes números e grupos de pessoas desinformados e divididos.

“As ‘câmaras de eco’ da informação vão reforçar as incontáveis realidades concorrentes”, prevêm os autores do dossiê.

No documento, cujos autores incluem analistas das comunidades académica e das informações, também se admitiu que o liberalismo que tem definido o Ocidente e os seus aliados desde a Segunda guerra Mundial está ameaçado pelo populismo, tanto à esquerda como à direita, devido à dificuldade crescente de governar países e sociedades.

“Os públicos vão querer que os governos lhes garantam segurança e prosperidade, mas rendimentos baixos, desconfiança, polarização e uma lista crescente de questões emergentes vão dificultar o desempenho dos governos”, especificou-se.

Estas tendências sublinham a necessidade de EUA escorarem as suas tradicionais amizades e alianças ocidentais, à medida que a Federação Russa e a China testarem a sua vontade de manterem a sua influência.