Fenómeno da Natureza: Leoas desenvolvem características de leões

28 Set, 2016
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Leões machos distinguem-se entre si principalmente pela juba que possuem, essencial para atrair leoas, e pelo rugido usado para proteger o território ou como chamamento da alcateia. Leoas não têm juba nem rugido, assumia-se até há pouco tempo.

Em África, na reserva de Moremi (Botswana), um grupo de cinco leoas foi alvo de um estudo, publicado em agosto, 24, que explorava o fato de terem juba, rugido e um comportamento próprio de um leão macho (montar fêmeas).

O zoólogo britâncio Geoffrey Gilfillan, da Universidade de Sussex (Inglaterra), foi o principal autor do estudo que refere isso mesmo: “Rare observation of the existence and masculine behaviour of maned lionesses in the Okavango Delta, Botswana”, publicado na revista científica African Journal of Ecology.

O estudo baseou-se na leoa SaF05 (um nome que lembra a poetisa grega, Safo de Lesbos, associada ao lesbianismo) cuja “transsexualidade” foi detetada em 2010, durante um safari fotográfico na reserva de Moremi. O guia turístico, Grant Atkinson, relatou o episódio à revista African Geographic. Resumidamente, numa ocasião, diante de um grupo turistas enquanto descrevia o comportamento dos jovens machos de uma família de leões. Atkinson dizia que os machos estavam em crescimento e que cedo estariam prontos para abandonar a alcateia, até que o condutor do veículo o alertou: “São leoas”. O motorista tinha razão. Aqueles leões de juba ao eram leoas

Uma das leoas até conseguia rugir como um macho – SaF05 -, marcava o território e montava outras fêmeas, segundo a investigação de Gilfillan.

Segundo a revista New Scientist, que publicou um artigo (sexta-feira, 23) sobre o estudo do zoólogo britânico, a provável causa deste fenómeno poderá dever-se ao elevado nível de testosterona que o organismo destas leoas produz, partindo do princípio de que aos machos que são castrados a produção de hormonas masculina diminui drasticamente (há casos em que a juba desaparece).

A revista vai além do estudo de Geoffrey Gilfillan e divulgou o caso da leoa Emma, em cativeiro no Jardim Zoológico Nacional de Pretória, África do Sul. Em 2011 cresceu-lhe uma juba e análises veterinárias revelaram que Emma teria uma deficiência nos ovários, provocando uma produção anormal de testosterona. Após tratamento, as anomalias detetadas desapareceram.

Mais, os especialistas consultados pela revista apontam alguma anomalia genética, mas descartam que se possa estender o problema a toda a espécie.

Simon Dures, investigador da Sociedade Zoológica de Londres, investigou o assunto e, em 2013, adiantou no seu blogue as primeiras conclusões cientificas sobre as cinco leoas em estudo: “Têm os genitais femininos completos e intactos, sem qualquer evidência de “pseudopénis” ou algo que sugira que sejam hermafroditas. Mas, os lábios e clítoris são algo volumosos  em comparação com uma fêma normal”.

Esta espécie é considerada vulnerável e está na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.