Exoplaneta descoberto parece uma “Super Terra” e pode ter sinais de vida

20 Abr, 2017
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Com Lusa

Uma equipa internacional de astrónomos, da qual faz parte um investigador do Porto, descobriu um planeta maior e mais denso que a Terra, com características que o tornam um “excelente candidato” para a procura de sinais de vida.

De acordo com uma nota informativa do Observatório Europeu do Sul (ESO, sigla inglesa), os investigadores identificaram LHS 1140b – detetado através do observatório Mearth no Chile – como uma “super Terra”, um tipo de exoplaneta (que gira em torno de uma estrela que não é o Sol) com uma massa compreendida entre uma a dez vezes a massa da Terra.

O observatório Mearth, no Chile, responsável pela descoberta deste exoplaneta é habitualmente utilizado para rastrear estrelas anãs vermelhas até 100 anos-luz de distância, à procura de planetas semelhantes à Terra. Copyright: CfA

Os investigadores estimam que o LHS 1140b, que orbita a estrela anã vermelha (estrela com pequena massa e de temperatura “baixa”) LHS 1140, a menos de 40 anos-luz de distância da Terra, terá pelo menos cinco mil milhões de anos. As dimensões deste exoplaneta são estimadas em 18 mil quilómetros (cerca de 1,4 vezes maior que a Terra) de diâmetro e com 6,6 vezes mais densidade que o planeta Terra.

As observações permitiram ainda determinar que, completando uma órbita a cada 25 dias, este exoplaneta está a uma distância dez vezes mais próxima da estrela que orbita do que a distância a que a Terra está do Sol.

Nuno Santos, o investigador português do Instituto Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), disse à agência Lusa que “a distância a que o planeta está da sua estrela permite calcular que a sua temperatura pode possibilitar a presença de água líquida à superfície”.

De acordo com o IA, embora a estrela rode atualmente mais lentamente e emita menos radiação de alta energia do que outras estrelas de pequena massa, no início da sua vida seria “bem mais ativa”. Essa atividade possibilitava uma emissão de radiação capaz de destruir a água existente na atmosfera do planeta, o que originaria um efeito de estufa descontrolado, semelhante ao observado em Vénus.

O investigador do IA Nuno Cardoso Santos. Para além de Nuno Santos, a equipa é composta por investigadores dos Estados Unidos da América, da França, da Suiça, da Austrália e de Espanha. Copyright: via Instituto de Astrofísica.

“No entanto, o diâmetro do planeta indica que um escaldante oceano de magma pode ter existido à superfície durante milhões de anos, libertando vapor de água para a atmosfera durante tempo suficiente para continuar a abastecer a atmosfera”, lê-se na nota informativa do IA.

A água pode então ter passado ao estado líquido depois do planeta arrefecer, tornando-o potencialmente habitável e um “excelente candidato” a futuros estudos para procurar sinais de vida.

De acordo com o líder da investigação Jason Dittmann, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (Cambridge, EUA) e que é o principal autor do estudo publicado nesta quinta-feira na Nature sobre esta descoberta, “trata-se do exoplaneta mais interessante” identificado na última década. “Não podíamos desejar um melhor alvo para realizar uma das maiores buscas da ciência — a procura de vida para além da Terra”, disse Dittman sobre o LHS 1140b.

Para descobrir o LHS1140b os investigadores recorreram ao método de trânsitos, que consiste na medição da diminuição da luz de uma estrela provocada pela passagem de um exoplaneta à sua frente (algo semelhante a um microeclipse), o que permitiu calcular o diâmetro do planeta.

Foi depois confirmada pelo espetrógrafo HARPS, localizado no telescópio ESO, no Chile, que, através de observações com o método das velocidades radiais (deteta exoplanetas medindo pequenas variações na velocidade da estrela) permitiu determinar a sua massa e o período orbital.

Segundo o IA, a equipa vai realizar, brevemente, observações com o Telescópio Espacial Hubble, para determinar com precisão a quantidade de radiação que atinge o LHS 1140b, o que vai permitir definir com maior exatidão os limites de habitabilidade do planeta.