Criada ferramenta que permite ver as estrelas mais antigas nas galáxias

1 Fev, 2017
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Autor:
Agência Lusa

Investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) desenvolveram uma ferramenta informática que permite suprimir as estrelas mais jovens nas imagens das galáxias e obter informações sobre as estrelas mais antigas.

A ferramenta RemoveYoung foi criada pelos investigadores do IA Polychronis Papaderos e Jean Michel Gomes, docente na Universidade do Porto.

Jean Michel Gomes apresentou esta tecnologia num curso avançado de população estelar em galáxias, no Instituto de Astronomia da Universidade de Viena.

“A aparência ótica (morfologia) das galáxias resulta da sua evolução, mas de que maneira é que a história da construção das galáxias afeta o seu aspeto atual é uma dos mais interessantes enigmas da investigação extragaláctica”, pode ler-se num comunicado do IA.

A morfologia de galáxias de formação estelar, acrescenta, é geralmente dominada pelas estrelas jovens, massivas e brilhantes, que podem ofuscar a importância estrutural das estrelas mais velhas (e mais ténues), o que limita o conhecimento nessa área.

Com esta ferramenta, os investigadores conseguem remover numericamente a população estelar com uma determinada idade, determinando assim a energia, o brilho à superfície e a distribuição da densidade estelar das estrelas mais antigas.

“Esta técnica aplica-se a uma variedade de galáxias de formação estelar”, e pode relevar “caudas resultantes de antigas interações ou fusões galácticas, vestígios de galáxias anãs que foram capturadas por galáxias espirais, ou até barras nos núcleos galácticos, formadas por estrelas antigas, que estão ocultas por regiões de formação estelar mais brilhantes”, lê-se ainda na nota informativa.

De acordo com Jean Michel Gomes, docente na Universidade do Porto (UP), o RemoteYoung pode tornar-se numa importante ferramenta em astronomia extragaláctica visto que agora têm os investigadores têm os meios para revelar a população estelar mais antiga, até agora ocultada pelo brilho das estrelas jovens e massivas.

Para Polychronis Papaderos, também docente da UP e membro do SELGIFS, o RemoteYoung explora o poder combinado da síntese espectral da população e unidades de campo integral para espectroscopia 3D, para desvendar a história da formação de galáxias.

O projeto deu origem ao artigo “RemoveYoung: A tool for the removal of the young stellar component in galaxies within an adjustable age cutoff”, publicado na revista Astronomy Astrophysics, em outubro de 2016.

Os institutos do Porto e de Viena colaboram ainda no projeto CALIFA (Calar Alto Integral Field Area Survey, ou pesquisa com unidades de campo integral de Calar Alto), pelo Instituto de Astrofísica de Andalucía, em curso no observatório de Calar Alto (Almeria, Espanha), com o telescópio refletor de 3,5 metros.

Esta técnica usa unidades de campo integral para espectroscopia 3D (Integral Field Unit spectroscopy – IFU) que permite a observação simultânea de cerca de mil espectros por galáxia, produzindo uma visão tridimensional de cada galáxia.

Jean Michel Gomes é colíder do grupo de trabalho SELGIFS Reconstrução da História de Formação Estelar, uma colaboração internacional financiada pelas Ações Marie Curie – Regime internacional de intercâmbio de pessoal de investigação, que envolve instituições de Espanha, México, Portugal, Alemanha e Austrália.