Corrente oceânica arrasta para o Ártico grandes quantidades de lixo plástico

20 Abr, 2017
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Autor:
Agência Lusa

O oceano Ártico concentra grandes quantidades de plástico, lixo produzido em locais distantes e transportado por uma corrente oceânica, concluiu um estudo publicado na quarta-feira, por investigadores que transmitiram preocupação sobre os efeitos da poluição nos ecossistemas árticos.

A investigação hoje divulgada pela American Association for the Advancement of Science, que publica a revista científica Science, confirmou que o plástico é abundante no mar da Gronelândia e norte da Escandinávia, apesar de as populações principais responsáveis por este tipo de lixo, estarem longe.

Os investigadores, que fizeram uma recolha de plástico à superfície estimam em centenas de toneladas a quantidade de plástico a flutuar no Ártico e consideram que a quantidade de lixo concentrada no fundo será ainda maior.

O “caminho” do plástico no Atlântico norte até ao oceano Ártico foi seguido através de uma rede de 17.000 bóias com sensores que transmitem dados via satélite e permitiram confirmar que a poluição segue para norte levada pela chamada “circulação termossalina”, uma vasta corrente conhecida como o “tapete rolante oceânico” por ser responsável pela circulação de grandes massas de água temperada para norte, regulando o clima global e contribuindo para a oxigenação e distribuição de nutrientes nos oceanos.

Os investigadores referiram que historicamente os mares quase fechados, como o Mediterrâneo, registam um excesso de resíduos de plástico, mas não era expectável que estas acumulações fossem encontradas nas latitudes polares.

A proporção de plástico nas amostras recolhidas vem, assim, confirmar que os detritos daquele material “viajaram de fontes distantes, incluindo das costas noroeste da Europa, do Reino Unido e da costa leste dos EUA”, algumas relacionadas com a atividade marítima.

Segundo a informação divulgada, os autores do trabalho apontaram que os efeitos potenciais desta poluição flutuante nos ecossistemas únicos do Ártico “são especialmente preocupantes”.