Cinema: Disney no topo da indústria

3 Jan, 2017
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O ano de 2017 já começou. Esta terça-feira marca já o terceiro dia do novo ano, mas vale certamente o esforço de apresentar este artigo, referente ao estrondoso ano cinematográfico da Disney, que foi 2016.

Bob Iger, o diretor-executivo da Disney bem pode festejar. O ano transato representou para a gigante produtora o melhor ano de sempre na história de qualquer estúdio, no que respeita à bilheteira de Hollywood. Pela primeira vez, um estúdio cinematográfico superou os 7 mil milhões de euros em bilheteira. O motivo: A Disney é responsável pelos quatro filmes que mais bilhetes venderam em 2016, a nível mundial em 2016. E o mais recente filme do estúdio norte-americano “Rogue One: A Star Wars Story” está a dois lugares de ser o quinto sucesso.

Foi o tudo ou nada para Iger, segundo o El País. Numa década gastou cerca de 15 mil milhões de euros para reunir marcas tão infalíveis como Pixar, Marvel e Star Wars. A sementeira deu frutos, aparentemente. Atualmente, a Disney já não é só a casa do Mickey, mas a de Iron Man, Luke Skywalker, de Carros e de muitas outras personagens. O segredo do sucesso: repetir várias vezes as fórmulas que agradam o espetador. Em 2016, a Disney, fundada em 1923, conquistou o primeiro lugar nas bilheteiras dos Estados Unidos da América (EUA) em 21 das 53 semanas do ano. Um marco que levou a gigante produtora a dominar mais de 25% do mercado nos EUA, de acordo com a Box Office Mojo.

Todo este sucesso assenta em cinco membros: o confronto dos heróis Marvel em “Captain America: Civil War”; a sequela de um dos grandes êxitos da Pixar, “Finding Dory”; “Zootopia”; um remake da história de Mogli, “The Jungle Book”; e o recém-lançado “Rogue One: A Star Wars Story”.

Este domínio do CineMundo foi possível apenas com 16 filmes lançados em 2016. A Warner Bros, o maior rival da Disney e a segunda produtora que mais amealhou em bilheteira, no ano de 2016, só conseguiu uma quota de mercado de 17%, nos EUA. E para isso lançou 36 filmes.

A supremacia da Disney é, no entanto, uma má notícia para os colossos do mercado cinematográfico, refere o El País. Os lucros dos sete principais estúdios em conjunto caíram 17% nos primeiros nove meses de 2016, de acordo com um estudo de investimentos da empresa Cowen & Co.

Ainda assim, o recorde de receita em bilheteira nos EUA, superou os 10,8 mil milhões de euros, apesar do ano passado ter sido um dos anos em que se compraram menos entradas para as salas de cinema. “O número é enganador”, alertou um antigo executivo da Paramount ao Los Angeles Times: “Quando observados os totais, parece saudável, mas só alguns projetos tem lucros”. Aliás, apenas uma pequena percentagem dos estúdios cria riqueza. Nos dois últimos anos, os 10 primeiros filmes somaram um terço da bilheteria total.

Mais, as vendas de cinema por TV cabo e satélite caíram 30% desde 2010, e  é cada vez mais dispendioso criar blockbusters (campeões de bilheteira). O periódico espanhol questiona se não será a altura de redefinir a estratégia comercial de Hollywood. Em 2017, a Fox, por exemplo,  assentará os seus lançamentos em mega-produções mais baratas dirigidas ao público adulto, como “Logan”, “War for the Planet of the Apes” ou “Alien: Covenant”.

Por esta lógica, a Disney pode até dar-se ao luxo de ter fracassos retumbantes como “The BFG – Big Friendly Giant”, de Steven Spielberg, ou “Alice Through the Looking Glass”. Para o El País, o mercado internacional, com especial foco na China, será a única salvação que resta. E a Disney já mostra sinais de claro domínio.

Assim a antiga casa de Mickey, que desde 2001 não ocupava o primeiro lugar nas bilheteiras, não faz mais do que aumentar o seu monopólio. A empresa, que chegou a ser a sexta em 2008, quando alguns deram por concluídos os anos de glória na animação, apostou numa estratégia de comprar marcas com outras proveniências para ampliar o seu público, além do infanto-juvenil. A medida parece ter sido certeira. O ano de 2017, poderá revelar que o futuro da Disney não vai mudar o seu caminho: mais filmes de super-heróis da Marvel; novos remakes dos clássicos; o regresso da saga “Pirates of the Caribbean” ou “Cars” e uma nova sequela de Star Wars. Tudo em 2017.

 

Veja aqui os 10 campeões de bilheteira de 2016 (dados do Box Office Mojo, 3/01/2017):

 

1 – Captain America: Civil War (Disney) – 1.1 mil milhões de euros

2 – Finding Dory (Disney) – 982.1 milhões de euros

3 – Zootopia (Disney) – 978.3 milhões de euros

4 – The Jungle Book (Disney) – 923.6 milhões de euros

5 – The Secret Life of Pets (Universal) – 836.5 milhões de euros

6 – Batman vs Superman: Dawn of Justice (Warner Bros.) – 834.4  milhões de euros

7 – Rogue One: A Star Wars Story (Disney) – 754.6 milhões de euros

8 – Deadpool (Fox) – 748.3 milhões de euros

9 – Fantastic Beasts and Where To Find Them (Warner Bros.) – 742.2 milhões de euros

10 – Suicide Squad (Warner Bros.) – 712.4 milhões de euros