Cientistas mais perto de uma vacina de proteção contra a gonorreia

12 Jul, 2017
511 Visitas
Rows

Autor:

Recentemente, uma campanha de vacinação em massa para combater um surto de meningite bacteriana na Nova Zelândia obteve resultados inesperados: uma redução do número de casos da doença sexualmente transmissível conhecida por Gonorreia.

O estudo publicado esta segunda-feira no jornal The Lancet, e a equipa de cientistas aponta que esta é a primeira vez que uma vacina demonstra proteção contra a doença.

Os resultados abrem a porta a novas possibilidades no processo de desenvolvimento de uma vacina específica contra a DST que causa cerca de 78 milhões de novos casos no mundo por ano. Um dos principais problemas é o facto de o corpo não desenvolver resistência à doença, não importa quantas vezes for infetado.

Nos últimos anos, a gonorreia tem vindo a revelar um aumento da resistência aos antibióticos, sendo que alguns pacientes não conseguiram ser tratados com nenhum medicamento disponível.

A Organização Mundial de Saúde já incluiu a gonorreia na lista de bactérias que representam maior ameaça para a saúde humana e aponta que o desenvolvimento de uma vacina eficaz é fundamental para prevenir o desenvolvimento de uma superbactéria.

O estudo que contou com 15.000 jovens mostrou que as infeções foram reduzidas em cerca de um terço.

A vacina, originalmente desenvolvida para parar um surto de meningite, foi administrada a cerca de um milhão de adolescentes na Nova Zelândia entre 2004 e 2006.

Os investigadores da Universidade de Auckland analisaram dados de várias clínicas de saúde sexual e perceberam que os casos de gonorreia caíram 31% entre os vacinados.

A bactéria que causa meningite, Neisseria meningitidis, é uma parente muito próximoada espécie que causa a gonorreia, Neisseria gonorrhoeae, o que terá provavelmente causado uma “proteção cruzada”.

A proteção parece durar cerca de dois anos. Apesar de a vacina em questão, chamada “MeNZB”, já não se encontrar disponível, muitos dos seus componentes surgem numa outra chamada “4CMenB”.

Existem neste momento várias empresas farmacêuticas a tentar desenvolver uma vacina contra a doença, pelo que esta descoberta poderá significar um avanço nos trabalhos.

Fonte:
BBC