“As Veias Abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano, publicado em março

10 Jan, 2017
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Autor:
Agência Lusa

A editora Antígona vai editar, neste semestre, pela primeira vez em Portugal, a versão integral de “As Veias Abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano, obra que esteve proibida pouco depois da sua edição, em 1971, em países como o Brasil, Chile e Argentina.

O ensaio do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, falecido em abril de 2015, numa tradução de Helena Pitta, com prefácio Júlio Henriques, é publicado em março.

Numa nota à imprensa a editora portuguesa cita o crítico de arte e romancista John Berger, segundo o qual, “publicar Eduardo Galeano é publicar o inimigo: o inimigo da mentira, da indiferença e, sobretudo, do esquecimento”. “Graças a ele, os nossos crimes serão relembrados”, acrescentou o artista e escritor inglês, autor de “Modos de ver”, que morreu no passado dia 02.

Esta obra, “As Veias Abertas da América Latina”, conta com mais de um milhão de exemplares vendidos em todo o mundo e foi traduzida em doze línguas.

Segundo a editora portuguesa, este livro foi oferecido, em 2009, pelo ex-Presidente da Venezuela Hugo Chávez ao seu homólogo norte-americano Barack Obama.

Este é “um brilhante estudo sobre cinco séculos de exploração económica, política e social de todo um continente, a América Latina, pela Europa e pelos Estados Unidos, desde a descoberta do Novo Mundo”, em 1492.

A Antígona realça ainda a “escrita eloquente e apaixonada”, e aponta a obra como “uma condenação visceral da infâmia e da ganância no mundo”.

Na área de ensaio, em abril, a editora conta publicar “Kitsch. Um Estudo sobre a Degenerescência da Arte”, de Fritz Karpfen, numa tradução João Tiago Proença.

Esta obra foi escrita em 1925 e “é uma das primeiras referências significativas sobre o kitsch, fenómeno que acompanha historicamente, como uma sombra, as vanguardas artísticas”, escreve a editora.

A Antígona refere-se a este texto como uma reflexão “polémica e com humor”, na qual Fritz Karpfen “escalpeliza a função dormitiva pequeno-burguesa do kitsch nas suas múltiplas encarnações, que vão do exótico-colonial à arte religiosa, do interior consolador à compensação social generalizada”.

“Drones”, de Hugh Gusterson, em maio, e “Políticas da Inimizade”, de Achille Mbembe, em junho, são outros dois títulos no plano de edição.

“Drones”, publicado originalmente no ano passado, foi traduzido por Luís Leitão. Este é um “tema sensível e de enorme relevância política, sobretudo agora que Donald Trump presidirá aos destinos do mundo”, e “o uso de drones é uma estratégia bélica cada vez mais comum”.

Esta obra de Gusterson, professor de Antropologia na Universidade George Washington, reúne testemunhos de pilotos de drones, ativistas, dirigentes e jornalistas, “passando pela experiência das vítimas e pela perspetiva atroz da generalização dos drones como instrumentos de vigilância e violência”.

Marta Lança traduziu “Políticas da Inimizade”, de Achille Mbembe, filósofo e historiador camaronês, professor em universidades dos Estados Unidos e na África do Sul, que publicou anteriroemnte “Crítica da Razão Negra”.

Desta feita, Mbembe escreve sobre a inimizade, “que se amplia sem cessar e que se reconfigura à escala global, como sacramento da nossa época”.

A Antígona conta ainda editar três romances, entre os quais “Tono-Bungay”, de H.G. Wells, quatro livros de contos, uma obra de ficção, e o diário de bordo “Uma Semana nos Rios Concord e Merrimack”, publicado em 1849, que é “o relato da viagem que Thoreau e o seu irmão, John, empreenderam em 1839 no barco que os dois construíram.

No plano de edição conta-se igualmente “Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola”, de 1969, “o primeiro de vários volumes autobiográficos” da escritora norte-americana Maya Angelou, ativista dos direitos humanos, escrito no culminar do processo de luta contra a segregação racial nos Estados Unidos, no qual narra a sua infância no Estado do Arkansas.